O Projeto Apollo 11

20 de julho de 2009, 40 anos depois do homem ter pisado na lua, resolvi escrever sobre este grande projeto, colhi inúmeras informações antes de começar, assisti aos especiais que a Discovery Channel fez a respeito e li muito a respeito.

Terra vista da Lua

Lua vista do Espaço

Como poucos sabem, o projeto começou em abril de 1961, dezessete dias depois que o soviético Yuri Gagarin se tornara o primeiro homem no espaço, o cientista de foguetes da NASA, Werner von Braun, escreveu ao vice-presidente Lyndon Johnson.

Era uma resposta à uma longa questão “Temos chance de superar os soviéticos com um laboratório no espaço, ou uma viagem ao redor da Lua, ou um foguete que pousaria na Lua, ou um foguete que iria até a Lua e voltaria com um homem? Há algum outro programa espacial em que poderíamos vencer com resultados dramáticos?”

Werner escreveu:

“Temos uma chance excelente de superar os soviéticos no primeiro pouso de uma tripulação na Lua (incluindo a capacidade de retorno, é claro). A questão é que um desempenho dez vezes melhor sobre seus foguetes atuais seria necessário para realizar esta façanha. Hoje ainda não temos um foguete assim, e é muito improvável que os soviéticos o tenham. Conseqüentemente, não precisaríamos entrar na corrida por uma meta tão óbvia da exploração espacial em uma situação que favoreça os soviéticos. Com um programa completo, acho que atingiríamos este objetivo em 1967/68.”

“Acrescentando, gostaria de dizer que estamos competindo na corrida espacial com um adversário determinado, cuja economia em tempos de paz está em ritmo de guerra. A maioria dos nossos procedimentos foi projetada para condições pacíficas, para tempos de paz. Não acredito que possamos vencer esta corrida a menos que tomemos ao menos algumas medidas que só seriam consideradas aceitáveis em situações de emergência nacional.”

No dia 25 de maio de 1961, o presidente JFKennedy anunciou seu apoio ao programa Apollo em uma sessão no Congresso:

“…Acredito que esta nação deve se comprometer em atingir este objetivo, antes que esta década termine, de pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra em segurança. Nenhum projeto espacial desta época será tão impressionante para a humanidade, ou mais importante na exploração espacial de longo prazo; e nenhum será tão difícil e caro de ser realizado…”

As missões do Projeto Apollo estão entre as grandes conquistas da humanidade.

Criada a partir das conquistas de seus predecessores, os projetos Mercury e Gemini, e estimulada pela determinação dos rivais soviéticos, a Apollo tinha o objetivo de enviar o primeiro homem à Lua e trazê-lo de volta à Terra em segurança. (Conseguiram ver o escopo?)Mercury

A conquista da NASA foi transmitida com grande alvoroço pela mídia, com imagens ao vivo da superfície da Lua em 1969. Mas este sucesso teve seu preço.(Será que estavam falando de custos?), O primeiro homem a caminhar no espaço, Ed White, e seus colegas Roger Chaffee e Gus Grissom, morreram depois que a Apollo 1 sofreu um incêndio durante um teste em terra. (Aqui ficou claro a gestão de riscos)

Os programas tripulados Mercury e Gemini foram aquecimentos tecnológicos para o programa Apollo. (A pergunta aqui é: Por que fizeram outros projetos antes? Lembrem-se, o PMI foi fundado em 1969, se o projeto Apollo 11, não tivesse sucesso, será que o PMI teria sido criado em 69?) Cada elemento destes programas testou viabilidade de uma missão longa e tripulada para a Lua. (Ah, agora entendi, eles estavam fazendo um estudo de viabilidade do projeto maior), Sete missões como a Apollo foram esboçadas, cada uma testando um conjunto específico de componentes e tarefas, e cada passo precisava ser finalizado com sucesso antes que a próxima missão do gênero começasse. No total, o programa Apollo lançou 11 missões tripuladas. (Quanto se gastou com essas missões, e o tempo, como foi?)Gemini

Para se preparar para a viagem à Lua, o programa Apollo lançou duas missões orbitando a Terra, Apollo 7 e 9, que testaram os comandos e os módulos lunares. Estas bem-sucedidas missões geraram mais duas missões que orbitaram a Lua, Apollos 8 e 10.

Estas missões testaram a tripulação, os veículos espaciais e as instalações de apoio à missão. Elas testaram os módulos de comando, incluindo comunicações e sistemas de rastreamento e sobrevivência. As equipes também fotografaram a superfície lunar e avaliaram o desempenho do módulo lunar entre a Terra e a órbita da Lua.

A Apollo 10 foi um verdadeiro ensaio para o pouso lunar. Todas as operações, com exceção da alunissagem, foram executadas.

Depois de testar todos os elementos da missão tripulada para a Lua, a Apollo 11 finalmente estava pronta para partir. (Até que enfim, pensei que náo fossem colocar mais o projeto principal para rodar)

O foguete Saturno V foi utilizado para lançar Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins em sua jornada ao redor da Lua. Ele era composto por três estágios, que se separaram em diversos intervalos durante a viagem à Lua. (Que legal, aqui fica super claro as fases do projeto)Saturno

Ao se aproximar da Lua, o módulo de comando e o módulo lunar se destacaram no estágio final do veículo de lançamento. Uma série de manobras, coreografadas com precisão, acoplou o módulo lunar ao módulo de comando antes da entrada na órbita lunar. Uma vez na órbita, Aldrin e Armstrong partiram no módulo lunar, deixando Collins no módulo de comando, pousando na superfície da Lua e fazendo história.

Várias vezes durante a descida, porém, o computador soou alarmes. A trajetória da nave parecia boa, mas a mensagem de alerta “1202” trouxe alguns segundos tensos à tripulação até que Houston avisasse, que, ao que parecia, partes da memória do computador estavam sendo sobrecarregadas com estranhos dados do radar de aproximação, mas, felizmente, não apenas o computador havia sido programado de modo que continuasse a conduzir tarefas de alta prioridade como também a pessoa que melhor conhecia o computador — o homem que o criou, o engenheiro de sistemas Steve Bales — precisou de apenas alguns segundos para diagnosticar o problema e recomendar que o pouso continuasse. (Caramba, em 1969 os computadores ainda eram muito ineficazes, talvez um celular hoje processe mais informações do que aquele computador). Mais tarde, Bales ficaria de pé ao lado da tripulação numa cerimônia na Casa Branca e foi condecorado por sua especial contribuição para o sucesso da missão. (Imaginem se tivesse dado erro, o que teria acontecido com Bales? Não quero nem pensar! RS)

Os seguidos alarmes e as quedas nas comunicações entre o Eagle e Houston eram irritantes, mas em todos os outros aspectos o computador do ML (Módulo Lunar) e o sistema de navegação tiveram um desempenho brilhante. Oito minutos e trinta segundos após a ignição do motor de descida, o computador colocou o Módulo quase ereto e Armstrong teve sua primeira visão em close-up do lugar para onde estava sendo levado pelo computador. Ele estava cerca de 1.600 m acima e 6.000 m a leste da área de pouso. Como planejado, ele tinha combustível para mais 5 minutos de vôo. Cada astronauta tinha uma janela pequena, triangular e de vidraça dupla a sua frente.

Em princípio, se Armstrong não gostasse do ponto escolhido pelo computador, poderia movimentar o “joy-stick” manual de controle para frente, para trás ou para qualquer lado, além de orientar o computador para mover um pouco o alvo na direção indicada. De acordo com o plano, Aldrin dava a Armstrong o ângulo de descida de poucos em poucos segundos, porém a arte de direção computadorizada ao tempo da Apollo 11 não era tão refinada como seria nas próximas missões e a fatalidade e o computador estavam colocando o Eagle dentro de um campo de rochas, a nordeste de uma cratera do tamanho de um campo de futebol.

Não havia problemas para Armstrong em pousar num campo de rochas. Não era essencial que o Módulo Lunar pousasse perfeitamente ereto. Uma inclinação de mais de quinze graus não causaria nenhum problema em particular para o lançamento de volta à órbita após a missão. Entretanto, se ele batesse o sino do motor ou uma das patas do trem de aterrissagem numa rocha grande, haveria uma chance real do Módulo Lunar sofrer um dano estrutural. Ele decidiu então seguir a velha máxima de pilotos: “Em caso de dúvida, pouse longe”. Para fazer isso ele teria que sobrevoar a cratera e pousar a oeste dela. E não havia maneira – nem tempo – de dar ao computador uma atualização de informações suficiente via controle manual. Então, a uma altitude de cerca de 150 metros do solo, Neil Armstrong assumiu completamente o controle manual da nave para a descida final., apontou o Módulo Lunar para frente, começou a voar como um helicóptero e levou o Eagle para 400 metros a oeste, sobre crateras e rochas.

Enquanto Armstrong conduzia o Módulo Lunar à procura de um bom ponto de pouso, sua atenção estava totalmente focada no trabalho que tinha em mãos. Aldrin foi quem virtualmente falou o tempo todo e também estava bastante ocupado.

Ele lia os dados do computador para Armstrong dando a ele a altitude, a taxa de descida e a velocidade frontal. Em Houston, o Diretor do Vôo Gene Kranz e outros membros da equipe de apoio na Sala de Controle da missão, estavam vigiando a telemetria do Módulo Lunar. Eles não sabiam ainda sobre a cratera e o campo de rochas, mas era óbvio que a alunissagem estava demorando mais tempo que o planejado.

Além disso, a cada segundo que passava, havia uma crescente inquietação quanto ao combustível que restava. Por causa das incertezas em ambos os calibradores nos tanques e nas estimativas que podiam ser feitas por dados de telemetria no motor funcionando, a quantidade de tempo restante até que o combustível acabasse era em torno de 20 segundos. Se eles chegassem a um nível muito baixo, Kranz teria que ordenar que o pouso fosse abortado.

Um drama era a última coisa que alguém queria para o primeiro pouso na Lua. O evento em si já era monumental e excitante o bastante. Finalmente, Neil Armstrong achou um local que gostava, começou a cortar sua velocidade frontal e deixou o Módulo Lunar descer suavemente para a superfície. Quando eles baixaram para 25 m, Houston avisou que eles tinham 60 segundos de combustível restante e na cabine ‘Buzz’ Aldrin viu uma luz de aviso que dizia a mesma coisa. Mas agora eles estavam muito próximos e era apenas uma questão de pousarem suavemente.

Armstrong tinha cortado quase toda a velocidade frontal do Eagle e agora que eles começaram a levantar poeira com o exaustor do motor, ele pediu a Aldrin para confirmar se eles ainda estavam se movendo um pouco para frente. Ele queria pousar numa superfície que pudesse ver à frente, em vez do solo que não podia ver atrás. Aldrin deu a confirmação que ele queria e oito segundos depois eles viram a luz de contato. As sondas de dez pés de comprimento que pendiam do trem de pouso haviam tocado a Lua.

Um segundo ou dois depois, eles estavam pousados e cortaram o motor. Só tinham mais 20 segundos de combustível, mas estavam pousados. Então Armstrong falou no rádio a frase imortal: “Houston, Tranquility Base here. The Eagle has landed”. (“Houston, aqui Base da Tranqüilidade. A Águia pousou”). A mais de 300 mil quilômetros dali, o mundo, que acompanhava ao vivo as comunicações de rádio entre o Controle de Vôo no Centro Espacial Johnson em Houston e a Apolo 11, entrava em comoção e aplaudia e gritava freneticamente. (Missão cumprida?, não, ainda não, esses foram apenas os primeiros perrengues que eles passaram, outros ainda estavam por vir).módulo lunar

Depois de bandeira dos EUA fincada na lua, rochas pegas, pulos lunar, fotos e filmes feitos, hora de retornar a Terra. Neil Armstrong e Buzz Aldrin retornam ao módulo lunar e tentam ligar o módulo para retornar a terra, quando Buzz pega na manivela para dar a partida, a manivela quebra. Houston chegou a entrar em contato com o presidente Nixon para comunicar o incidente. Os acessores do presidente Nixon chegaram a escrever um discurso para ser falado ao mundo que os astronautas estavam preparados para a missão. Entretanto, como já dizia o saudoso Chaves (aquele do chapolin) Buzz disse a Neil “Não contaram com a minha astúcia” (rs), Buzz pegou uma caneta e fez uma pequena manivela e conseguiu dar partida no Módulo Lunar.

Piadas a parte, a Apollo 11 foi a quinta missão tripulada do Programa Apollo e primeira a pousar na Lua. Tripulada pelos astronautas Neil Armstrong, Edwin ‘Buzz’ Aldrin e Michael Collins, a missão cumpriu o objetivo final do presidente John F. Kennedy, que, em discurso ao povo norte-americano em 1962, estabeleceu o prazo do fim da década para que o programa espacial dos Estados Unidos realizasse este feito. Neil Armstrong, comandante da missão, foi o primeiro ser humano a pisar na superfície lunar.

Composta pelo módulo de comando Columbia, do módulo lunar Eagle e do módulo de serviço, a Apollo 11, com seus três tripulantes a bordo, foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, às 13:32 UTC de 16 de julho, na ponta de um foguete Saturno V, sob as vistas de centenas de milhares de espectadores que lotavam estradas, praias e campos ao redor do Centro Espacial Kennedy e de milhões de espectadores pela televisão em todo o mundo, para a histórica missão de oito dias de duração, que culminou com as duas horas de caminhada de Armstrong e Aldrin na Lua.

APOLLO~1

E a lição que o PMI tirou de tudo isso? Bem, será que foi a partir do sucesso do projeto que o PMI foi fundado? Podemos ver no relato acima, que todas as 9 áreas de conhecimento (Integração, Escopo, Tempo, Custo, Qualidade, Recursos Humanos, Comunicação, Riscos e Aquisições) foram trabalhadas, e muito bem trabalhadas.

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Sobre Fernando Dantas

Mestre em Gestão do Conhecimento e da TI pela Universidade Católica de Brasília - UCB; Administrador com MBA em Gerenciamento de Projetos. Possui mais de 18 anos de experiência em consultoria e gestão de projetos e gestão de portfólio de projetos. É empresário da PMOLab, empresa especializada em educação, gestão de projetos e gestão do conhecimento. É consultor empresarial em gestão de projetos e professor universitário no Centro Universitário - IESB.
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2 respostas para O Projeto Apollo 11

  1. vitoriocabral disse:

    Parabéns Fernando!

    Muito bom o seu artigo, além de ser uma narrativa divertida de ser lida, nos traz muitos fundamentos para a gestão de projetos

    Vitório Tomaz
    j2da.wordpress.com
    @j2daconsulting

    Curtir

  2. Pingback: Uma recomendação de leitura: O Projeto Apollo 11 «

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