Criandro um Monstro

Pessoal, como podem ver, recebi este texto por email, coloquei o mesmo aqui pois achei super interessante. Ele foi escrito por Karina Cabral do Blog http://blog.mafaldacrescida.com.br/. Vale a pena passar por lá e ler outros textos que ela escreve.

Este artigo, também foi publicado NO JB, DA DRª MARIA ISABEL, PROFESSORA DE PSICOLOGIA, DENOMINADO “O NÃO DE ELOÁ”. Está postado também no site do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas sobre o seguinte endereço: http://www.crp15.org.br/conteudo_det.php?nid=369

Créditos:
Apresentação Elaborada pelo Professor Jorge Pétrus – SP

Adriana, muito obrigado pela indicação da autoria do texto.

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Pessoal, recebi este texto por email, achei super interessante que resolvi postar aqui, serve de alerta para quem é pai e mãe e para os futuros pais e mães.

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Nivaldo Pedro Machado escreveu:

*UM ALERTA AOS SENHORES PAIS! PENSEM NISSO!***

Criando um Monstro

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar
a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A
situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência
social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar
que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer
reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de
100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: “ela não quis falar comigo”. A garota disse
não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não
aceitou um não. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os
programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito
simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem
serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando
nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.
Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia
namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria
sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de
orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de
um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde,
com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao
próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá.
Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do
caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse
compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples
assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi
punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e
professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda
têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não
às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não
conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos
subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E
assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a
sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não,
seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do
gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é
legal.

Os pais dizem, “não posso traumatizar meu filho”. E não é raro eu ver
alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não
têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas
para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil
ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não,
você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não
vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar
a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de
habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer
18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje
você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não,
aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola
sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com
isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai
brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes
NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro
não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram
armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do
carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.

Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo
contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com
um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente
entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.
Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é
também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também
aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante
dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas
maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos
amem. O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que
cruzam o meu caminho quando acredito que é hora – e tento respeitar
também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que
é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a
solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos
dias.

3 comments

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