vídeo Stay Hungry, Stay Foolish

Em novembro de 2005, a revista Wish, publicou uma reportagem sobre o discurso de Steve Jobs na Universidade de Stanford.

Neste discurso, Steve Jobs conclui com uma frase que ficou martelando na minha cabeça por muito tempo, “Stay Hungry, Stay Foolish. Continue esfomeado, Continue tolo”. Daí pesquisando um pouco mais, sobre estas duas palavras,  cheguei a esta matéria da revista Wish. Espero que gostem.

Steve Jobs, criador da Apple, convidado a proferir um discurso de formatura na Universidade de Stanford, no mês de junho, marcou sua fala aos que iniciam um novo tempo de vida, com esse conselho: -Continue esfomeado, continue tolo.

Todo mundo lê, ou quer ler Steve Jobs, é o que deve explicar o fato desse discurso, além de sua qualidade, ter sido reproduzido pela imprensa do mundo inteiro, nas mais diversas traduções. Jobs, junto com poucos outros, como Larry Ellison, da Oracle, Bill Gates, da Microsoft e Richard Branson, da Virgin, pertence ao restrito grupo de chefes de empresa que também são donos do seu negócio. Ele não entra na lista dos executivos genéricos, que hoje podem presidir uma indústria de carros, amanhã de cosméticos, porque tudo se resume a um só elemento – o lucro – na sociedade anônima de consumo.

Aí está o que ele e seus parceiros de clube não são: anônimos.  Jobs, por isso, fala na primeira pessoa do singular, sem misturar singular com pretensão, à la Welch.

Aprende-se, por exemplo, ao lê-lo, que o Macintosh deve a sua beleza a um curso de caligrafia que seu criador seguiu, em horas vagabundas. Quem não quer saber o prêmio da vagabundagem, flânerie, no eufemismo gaulês?

Continue esfomeado, continue tolo, ou seja, nunca se satisfaça totalmente, nem desista só porque você viu como  pode fazer besteira, ou como seus sonhos são ilusórios.

O discurso do dono da maçã tem três partes, assim as interpreto: o tolo, o esfomeado, e a conclusão, o limite.

O tolo. Steve Jobs constata que o entendimento da vida se dá sempre ao depois. Assim também falava Freud, mas para outra audiência. Não adianta você medir o próximo passo com régua e compasso, a não ser se for para repetir o já vivido. Primeiro avançar, depois entender. Isto pode lhe dar uma impressão de andar ao léu, de ser… tolo. Com que bússola? Nenhuma outra além do desejo, ‘wish’, na língua dele.

O esfomeado. Dura lição recebeu Jobs: criou uma companhia de sucesso, pôs um ‘executivo’ para dirigi-la e foi demitido. Que tombo! Quase saiu do Vale do Silício, mas ficou e criou a NeXT, e a Pixar – que ganhou Oscares. A NeXT foi comprada pela … Apple, e, oops, olha lá o Steve outra vez, no comando da Apple. Pobre do ‘executivo’ burocrático, sorte da Apple e da geração iPod. Steve Jobs viveu o peso de ser bem sucedido, de acreditar no sucesso, de se satisfazer como uma jibóia. Receita: o sucesso é do outro, é dele o aplauso e a mão vermelha; o seu é a vontade inventiva, a criação insaciável, esfomeada. Há que se manter esfomeado.

O limite. Onde amarro a minha égua? Diz o vulgo brasileiro. Com que roupa que eu vou à festa que você me convidou? Na globalização essas perguntas são mais fortes que nunca. Acabou o tempo da vida padronizada, da hora certa de dormir – sem mamãe mandar – da profissão de futuro, da idade boa para casar e para ter filho, do tempo para aposentar. Tudo isso envelheceu, não existe mais, não funciona. Hoje, o futuro é uma invenção – título de um livro – e não uma previsão. E como inventá-lo? Que angústia! Pois é, que angústia.  Jobs prescreve: – Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje? E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, é preciso mudar alguma coisa.

Paradoxalmente, e obviamente – necessário dizê-lo – só há um limite, uma âncora para a vida, para a multiplicidade das possibilidades da vida: a morte. Mas, a morte, como sabê-la, se não a temos e, se quando a temos, não a sabemos? Mais uma vez, o limite é dado pelo desejo que aponta o que falta à vida, pela lei do desejo que acende a luz vermelha do sentimento de cabo de guarda-chuva na boca, quando nos distanciamos do que nos toca. Agora, é Lacan que dizia que só podemos nos culpar ao não sabermos responder, e nos responsabilizar, pelo desejo.

Conclui Jobs: – O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição.

Stay Hungry, Stay Foolish. Continue esfomeado, Continue tolo.

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