O Trabalho e o Amor

Pessoal, como professor recebo muitas coisas legais dos meus alunos. Muitas, geralmente chegam por email e não sei ao certo qual a fonte.

Mesmo assim, pesquisando um pouco na internet, descobri a fonte deste texto bacana: http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1717#.U0fZZl4czoU

 

Trabalho e o Amor.

Toda Atividade Construtiva é um
Sentimento de Afeto Que se Torna Visível

Khalil Gibran

 

…Então um lavrador disse [ ao Profeta ] : “Fale sobre o Trabalho.”

E ele respondeu dizendo:

“Vocês trabalham para manter-se em contato com o ritmo da terra e a alma da terra.

Porque ser preguiçoso é estar afastado das quatro estações e separar-se da marcha da vida, que avança com orgulhosa submissão, majestosamente, no rumo do infinito.

Quando vocês trabalham, são como uma flauta através de cujo interior o murmúrio das horas é transformado em música.

Quem de vocês gostaria de ser um junco, surdo e silencioso, quando todos os outros cantam juntos em harmonia?

Vocês sempre ouviram dizer que o trabalho é uma maldição, e o esforço, uma infelicidade.

Mas eu digo que quando trabalham vocês cumprem uma parte do sonho mais elevado da terra, destinada a vocês quando aquele sonho nasceu.

E, sustentando-se graças ao esforço, vocês estão, na verdade, amando a vida.

E amar a vida através do trabalho é estar interiormente ligado ao mais íntimo dos segredos da terra.

Mas se em seu sofrimento vocês chamam o nascimento de aflição, e consideram o ato de sustentar a vida como uma maldição escrita em suas testas, eu respondo que só o suor dos seus rostos lavará e apagará aquilo que está escrito.

Disseram a vocês que a vida é escuridão; e, no seu cansaço, vocês repetem aquilo que os cansados disseram.

E eu digo que a vida é, de fato, escuridão, exceto quando há um impulso, e que todo impulso é cego; exceto quando há conhecimento.

E todo conhecimento é vão; exceto quando há trabalho; e todo trabalho é vazio; exceto quando há amor; e quando vocês trabalham com amor vocês se unem a si próprios, e uns aos outros, e a Deus. [1]

E o que é trabalhar com amor?

É fazer o tecido a partir de fios que saem do seu coração, como se a pessoa que vocês mais amam fosse usar aquela roupa.

É construir cada casa com afeto, como se o ser amado fosse viver ali.

É plantar sementes com ternura, e fazer a colheita com alegria, como se a pessoa mais amada fosse comer os frutos.

É colocar em todas as coisas que vocês produzem o alento do seu próprio espírito, e saber que os mortos abençoados estão em torno de vocês, e observam o seu esforço.

Ouço com frequência vocês dizerem, como se falassem durante o sono: “Aquele que trabalha com mármore, e encontra na pedra a forma da sua própria alma, é mais nobre que aquele que lavra o solo. E aquele que captura o arco-íris e o coloca na roupa dos seres humanos é melhor que aquele que produz as sandálias para os nossos pés.”

Mas eu digo – não adormecido, e sim com a extrema lucidez da hora do meio-dia – que o vento não fala com mais ternura para os carvalhos gigantescos do que para a menor das folhas de erva.

E grande é apenas aquele que transforma a voz do vento em uma canção mais doce, através da sua própria capacidade de amar.

O trabalho é amor feito visível.

E se vocês não puderem trabalhar com amor, mas somente com desgosto, será melhor que abandonem seu trabalho e se sentem à porta do templo, e que peçam esmolas daqueles que trabalham com um sentimento de felicidade.

Pois se prepararem o pão com indiferença, vocês farão um pão amargo que só eliminará metade da fome do ser humano. E se espremerem a uva com má vontade, a má vontade estará presente no vinho como um veneno. E ainda que cantem como anjos, se não amarem o ato de cantar, estarão tapando os ouvidos das pessoas, e elas não poderão ouvir as vozes do dia e as vozes da noite. [2]

NOTAS:

[1] Em Teosofia, o termo “Deus” não tem como significado alguma divindade monoteísta. A palavra só faz sentido quando significa a Lei Universal. (CCA)

[2] O texto acima foi traduzido da obra “The Prophet”, by Kahlil Gibran, Senate, Singapore, 2004, 114 pp., ver pp. 32-35. Tradução, Carlos Cardoso Aveline. Em português, existem boas traduções dos livros de Gibran, feitas por Mansour Challita

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